"eu não vim até aqui pra desistir agora...

...minhas raízes estão no (m)ar minha, casa é qualquer lugar, se depender de mim eu vou até o fim."

Dependendo do ponto de vista eu posso dizer que tudo deu bem errado até agora:
- O emprego pelo que vim se mostrou uma cilada. O dono tinha conceitos de trabalho muito diferentes dos meus (e das leis), e eu tive que sair por simplesmente não ser possível ir tão contra o que sou/acredito.
- O café que tentei pegar o bonde andando com a minha amiga precisava de um incentivo financeiro a mais que nós simplesmente não tínhamos.
- Fiquei 2 meses em uma experiência muito bacana de trabalho, que estava se mostrando muito interessante e com potencial. Mas sem nenhuma explicação, fui desligada (não foi uma daquelas coisas em que a pessoa não vê os sinais, eles simplesmente não aconteceram). E a experiencia "Você está demitida - by Roberto Justus", me fez sentir coisas bem estranhas, principalmente por não ter sido apontado um motivo real, Robertinho ao menos apontava as falhas. O mais perto de justificativa foi ser muito de São Paulo, rs.
- Ficaram me devendo dinheiro em umas situações.
- Eu sinto saudades demais, de um jeito muito mais intenso que antes, a vida adulta traz vínculos mais fortes, e as pessoas acabam sendo partes de nós, se afastar dói. Sair de São Paulo - Capital, também foi diferente se comparado a ter saído de Osasco, São Paulo é um mar das possibilidades que não se compara a muita coisa.

Do meu ponto de vista, deu tudo bem certo:
- Larguei meus remédios de ansiedade, e tô vivendo, rs.
- Reencontrei uma série de pessoas muito queridas e amadas que me fazem perceber que a humanidade deu certo sim. Conheci mais um punhado de gente que vale demais a pena.
- Tenho o Thiago perto de mim, que tem horas que me deixa maluca, mas que na realidade tem sido a minha pessoa, e está sempre disposto a ajudar e aconselhar, e as vezes a querer me matar, hahaha.
- Estou vivendo a alguns dias a experiência de morar completamente sozinha, e isso tem trazido tantas coisas boas que ainda vão render muitos textos, mas não vou dar spoilers.
- Nessa situação inesperada de mudança de planos financeiros e de carreira imediata, meus amigos novos e antigos se puseram tão solícitos, me fizeram sentir tão querida, e com essa impressão de que estou fazendo algo certo, que por mais que eu ache a palavra banalizada a sensação de gratidão pela vida e pelo que realmente importa me encheu o peito.
- E o resto voltou a ser mar...e isso simplesmente não tem preço.

No meio de tudo isso, só dá para pensar naquela teoria de Deus escrever certo nas linhas tortas, e esperar que o ditado daqui se profetize e tudo 'dê certo'! Porque eu não vou mesmo desistir.

xoxo
T.


Responsabilidade.

Tem um tempo que eu não posto., comecei vários textos e deixei para trás.
O motivo disso, é que alguma pessoas chegam até mim através do blog querendo uma fórmula mágica de mudança e felicidade, e isso me assusta muito!
Eu sou feliz aqui, mas por motivos completamente internos. Tudo já deu tanto errado nessa versão Jeri 2017, que seu eu listar aqui vocês vão me perguntar porque eu insisto.
Eu insisto porque gosto, a proximidade do mar me faz feliz, não precisar dirigir me faz feliz, o estilo de vida, andar de chinelo, comer peixe fresco, olhar a lua e as estrelas, saber os horários das marés.

Mas tem uma série de coisas que me irrita: não ter banco, a internet ser ruim, a quantidade de areia que junta na casa, a dificuldade para conseguir resolver coisas simples, os preços absurdos dos aluguéis de casas horrorosas, a falta de respeito com as leis trabalhistas, afinal, a flexibilização da CLT chegou aqui a muito tempo. Mas na minha balança, os prós pesam mais.

A questão toda, é que a balança de cada um é calibrada de um jeito, e minha experiência e gostos não podem ser levados como modelo, não é uma ciência exata. Então se você quer vir morar aqui, venha pelo motivo certo, que é querer, e lembre sempre que assim como pode dar muito errado, pode também dar muito certo, como qualquer coisa na vida.
XOXO
T.

FAQ - parte 2 - moradia em jeri!

Algumas pessoas tem me procurado para saber como funciona morar aqui.
Largar tudo não é uma ciência exata, cada experiência é de um jeito, e ada um consegue suportar certa quantidade de provações.
Vou contar sobre a minha experiência, e sobre o que sei daqui, com base nessa fase de 2017.
Eu vim com  um trampo certo, que supostamente pagaria minha moradia e ia ser tranquilo, mas o trampo deu errado e não foi bem assim. Como eu já tenho amigos aqui, isso facilitou minha vida.
Acabei no primeiro momento morando com a Lilian, em uma casa de dois quartos e dois banheiros, antiga, mas bem centralizada, morávamos ela, Dudu e eu.

Com todas as minhas mudanças de emprego, acabou sendo mais conveniente vir para uma outra casa, de uma outra amiga de desde a outra vez que morei aqui, também tem 2 quartos e 2 banheiros, é maravilhosa, mas fica mais afastadinha.

As pessoas aqui normalmente dividem as casas, com conhecidos, ou desconhecidos que se tornam conhecidos, rs. Às vezes é bom (quase sempre tive sorte, um dia conto a única má sorte de 2010), e às vezes é ruim, como tudo nessa vida.
Aqui não tem imobiliária, então, a coisa funciona no boca a boca, ver plaquinhas na rua, e anúncios nos grupos do Facebook (mural Jericoacoara, mural de jeri...), não é viável conseguir uma casa sem já estar aqui.

Custos
Já não é mais barato viver aqui, e existem vários tipos de opções.
Recentemente, procurando junto com o Thiago, vimos algumas coisas, casas de 1 quarto entre R$ 800 e R$ 1200, quartos de R$ 600 (já com as contas), apartamento de 2 quartos por R$ 1800, gente que divide os quartos e fica uns R$ 400 por pessoa. Resumindo, várias faixas de preço e possibilidades.
Tem que procurar bem, algumas casas são bem feinhas, e cobram muito caro, e outras bem maravilhosas, só que mais afastadas. Então, não é barato morar, mas é possível.

Thiago estra trabalhando no Blue Group, eles sempre tem vagas de emprego, estão com 5 empreendimentos hoteleiros, e o bacana deles, é que eles tem um alojamento para os funcionários (uma vilinha de casas, nunca fui, não sei bem como é), eles contratam as pessoas a distância, então pode ser uma alternativa bacana para quem quer se arriscar, mas com alguma segurança.

Espero ter sido útil. Vou fazer mais posts informativos sobre essas questões cotidianas.

XOXO


He's a boy! He's my friend! But he's not my boyfriend!!!!

Eu podia começar esse post com uma foto, mas ele odeia fotos dele espalhadas pela rede, e por hoje vou poupá-lo da exposição por imagens, apenas hoje.

Era uma vez um app, um garoto e uma garota. Deram match! Se descobriram 2 malucos, e por motivações que fogem a compreensão humana, viraram amigos se falavam todos os dias, e descobriram o apreço mútuo de reclamar da vida.

Um dia a garota decidiu se mudar para Jericoacoara, e quando contou a ele, perguntou "porque você não vai também?", e por mais uma porção de motivações que fogem a compreensão humana, ele foi!

Esse é o resumo rápido dos porquês do Thiago estar aqui, morando na vila, mais precisamente comigo.
Hoje ele começou o trampo novo, mudou de vida, de edição de vídeo para recepção de hotel, com direito a uniforme e tudo. Eu fico torcendo aqui, que essa maluquice dele dê certo, que ele seja felizinho aqui, igual eu sou. E que a gente continue assim, parceiros de uma experiência maluca e cheia de desafios!

Obrigada  por fazer meus dias no vilarejo mais felizes Thiago!

Ps.: Se eu não escrever isso ele vai reclamar, então que todos saibam que ele já é o lavador de louças e banheiro oficial (e lava bem).


Reflexões Endometrióticas

Eu descobri, depois que voltei para cá, que a endometriose tava de volta. Em tese ela nunca vai, mas eu andava bem melhor.
Descobri depois porque deixei para fazer meus exames na visita a São Paulo, ainda bem! Provavelmente teria desistido de vir se tivesse tido a certeza antes, a distância de médicos, as possibilidades de ficar pior longe da família, o medo de não dar conta, antes de vir tudo parecia mais surreal, estar doente aqui parecia uma loucura, mas ficar doente é uma loucura, e não foi nem um pouco fácil passar pelas crises de dor em São Paulo.
Terça eu tive uma crise aqui, e pude ficar em casa, sem atrapalhar no trabalho, e sem o trabalho atrapalhar a mim. Foi bem tenso, tive um pouco de medo de ter que ir ao médico, uma coisa que me assusta muito aqui, o atendimento, os médicos já são sempre sem nenhuma compreensão ou tolerância para endometriose, e acabo tendo a impressão que aqui vai ser ainda pior, pode ser um preconceito, mas me deixa apreensiva mesmo.
Acabei me abrindo para pensamentos mais amplos. As coisas que nos travam são muito imaginárias, os obstáculos não costumam ser reais, o medo, e no meu caso a ansiedade, faz com que o desespero pelo futuro me congele em situações que no final das contas nem são boas, mas já estão acontecendo, e por isso menos assustadoras.
O que eu quero dizer, é que se a gente quer largar tudo, o que mesmo de pior pode acontecer? Tudo! Mas se a gente continuar na caixa do conformismo, o que de pior pode acontecer? Tudo também!
Então, que venha tudo que tiver de acontecer!
T.

Chove chuva...chove sem parar!

Estamos aqui no que os nativos chamam de inverno!

Que nada mais é do que a temporada de chuvas aqui na região, mas de frio, esse 'inverno' não tem nada. Ficamos com a sensação de estar dentro de uma estufa, uma umidade e um calor que fica difícil de aguentar! As coisas mofam, as alergias aparecem, e não tem nenhum lugar que fique livre desse efeito inverno!
Aqui dificilmente chove o dia todo, e é possível aproveitar belos períodos de sol, e é essa chuva que abastece as lagoas, então ela é mais do que bem vinda para garantir lagoas lindas pelo resto do ano!
Eu tô sentindo falta mesmo de delivery, rs. Tanto os de comida, como as entregas de produtos, fazer supermercado pela internet, comprar qualquer coisa pela internet sem pagar taxa, ahhhh, tantas opções que a gente não sente falta de nada. 
Esses dias eu queria molho barbecue, e não tem! Queria um shampoo que achava em qualquer canto, e nada. São coisas tão cotidianas, que a gente nem se dá conta de quanto usa. E com essa chuva, ah, as vezes eu só quero uma entrega de pizza.

T.

Vivendo em...minha vida!

O blog em tese é sobre a experiência de morar em Jeri, mas não tenho dissociar da minha vida.
Eu sou uma outra Talitta, menos perdida em alguns sentidos, mais certa de algumas vontades, mas ainda em busca do equilíbrio.
Em São Paulo a gente trabalha demais, aqui tende a querer o oposto, o prazer, a 'vida boa', mas não é bem assim, né? Nosso modelo de sociedade exige mais, e precisamos de mais, para nos desenvolvermos moral e eticamente.
Eu tenho trabalhado mais do que eu gostaria, mas menos do que eu estava acostumada, rs. Tlvez tenha que me acostumar com esse novo tanto? rs

Outra coisa que mudou radicalmente em mim foi meu jeito de enxergar o mundo e o machismo nas pequenas coisas, aparentemente esse tempo para pensar melhor me fez ver com mais atenção as nuances do tratamento diferenciado de cada dia:
"Assim já pode casar!"
"Você não sabe do que está falando!"
"Linda!" "Amor!" "Querida!"
Toques inapropriados durante uma conversa.
etc
etc
Mas e eu?
O que eu vou fazer diante disso? Não vejo como solução virar uma chatonilda que reclama e briga com todo mundo, mas também não acho que baixar a cabeça resolve.
Então mundo, eu pergunto para vocês? Como acha o equilíbrio nessa vida?

Lembranças da pontinha do Brasil!